Data centers de IA já afetam a conta de luz nos EUA; entenda

Expansão de data centers e grandes fábricas pressiona a rede elétrica e repassa custos a consumidores residenciais e pequenos negócios

Imagem: sommart sombutwanitkul/Shutterstock

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As tarifas de eletricidade para residências e pequenas empresas têm subido nos últimos anos nos Estados Unidos — e podem aumentar ainda mais, como revela o New York Times.

Segundo um relatório da consultoria energética Wood Mackenzie, os custos de expansão das redes elétricas para atender grandes consumidores, como data centers e fábricas, estão sendo parcialmente repassados a todos os usuários, incluindo os menores.

A análise mostrou que, na maioria dos casos, o valor pago por grandes clientes não cobre os altos investimentos em infraestrutura elétrica — como usinas e linhas de transmissão — exigidos para mantê-los operando.

Assim, o restante da conta acaba sendo pago por outros consumidores ou absorvido pelas próprias concessionárias, o que afeta seus acionistas.

Data Center.
Infraestrutura para data centers e indústrias pesa nas contas dos consumidores comuns (Imagem: Caureem/Shutterstock)

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Data centers elevam demanda

  • A demanda por eletricidade nos EUA deve crescer até 15% nos próximos quatro anos, após décadas de estabilidade.
  • O aumento é impulsionado pela explosão de data centers — que consomem grande quantidade de energia para operar e se manter refrigerados —, pela industrialização e pela popularização dos veículos elétricos.
  • Além da alta demanda, as concessionárias também estão investindo pesadamente na modernização e proteção de suas redes contra eventos climáticos extremos, como incêndios, tempestades e ondas de calor.
  • Esses custos, somados aos investimentos em infraestrutura, têm elevado as contas de luz.
  • Em fevereiro, a média de consumo residencial de 1.000 kWh custou US$ 164, cerca de US$ 30 a mais que há cinco anos.

Proposta poderia aliviar custos para quem gasta pouco

A Dominion Energy, empresa com forte atuação na Virgínia — estado com o maior número de data centers nos EUA —, propôs recentemente que os grandes consumidores arquem com sua “parcela justa” dos custos.

A proposta busca evitar que os pequenos consumidores continuem subsidiando o crescimento dessas operações de alto consumo.

Alguns estados, como o Texas, adotaram políticas para proteger os consumidores residenciais, permitindo que escolham seus fornecedores de energia.

Além disso, programas que permitem a grandes empresas comprar energia limpa diretamente de fontes renováveis podem ser adaptados para garantir que elas financiem os investimentos necessários para sua própria demanda.

Ainda assim, especialistas alertam que essas medidas oferecem proteção limitada. Uma solução mais eficaz seria isolar totalmente os custos gerados por grandes consumidores dos registros das concessionárias, garantindo que esses gastos não recaiam sobre os demais clientes.

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Relatório aponta que grandes empresas não pagam pelos verdadeiros custos da energia que consomem – Imagem: Denton Rumsey/Shutterstock
Leandro Costa Criscuolo

Colaboração para o Olhar Digital

Leandro Criscuolo é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Já atuou como copywriter, analista de marketing digital e gestor de redes sociais. Atualmente, escreve para o Olhar Digital.

Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, tendo como foco a pesquisa de redes sociais e tecnologia.

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